4.10.11

Agora caiu a ficha

Eu me lembro como se fosse ontem. Reclamava comigo mesma o fato de ter um irmão e quão sortudos eram os filhos únicos. Porque nunca gostei do que meu irmão fazia com minha família e como a manipulava para conseguir o que quisesse. O jeito rebelde e ameaçador me irritava profundamente. Numa dessas férias em que ficou apenas eu e ele em casa, eu joguei na cara tudo o que achava dele. Diante dessas discussões, nem com ele mais queria falar. Agora eu olho pra esse passado e vejo que fui surpreendida.
Num fato pessoal - que não falarei aqui, óbvio - sua personalidade mudara completamente, o que me fez amá-lo como um irmão, como nunca havia sentido na minha vida. Coisas que eu pedia a ele, agora, ocorriam naturalmente sem qualquer tipo de reclamação. O jeito sereno de falar. Tudo aquilo que implicava nele, se tornaram gentileza.
Não vou dizer que foi fácil para mim se adaptar a isso tudo. Passou a conversar comigo seriamente sobre coisas que antes não eram da minha conta. Eu nada poderia falar. Tentava ajudar, embora não me acostumasse completamente. Aliás, eu tinha essa vontade de ajudar, mas nunca passou pela minha cabeça que a minha voz e meu "ombro-irmão" fossem necessários, .
Junto a essas mudanças, ele resolveu viajar. Pensar na vida, esquecer coisas do passado, e adquirir experiência profissional. Todo dia era uma despedida, seja com amigos, com família, e ele tão visivelmente grato. Relutei todas as minhas saudades, acreditando estar com um certo rancor das coisas que ele fez, e então criado uma trava para meus sentimentos.
Mas hoje, 4 de outubro de 2011, às 6:30 da manhã, hora do embarque dele, eu percebi que perderia por seis meses a oportunidade de provar a ele que não, que não ia conseguir aguentar a ausência dele como irmão, e como pessoa que ele está sendo -  e que vou estar esperando de braços abertos como nunca o esperei, no dia que ele voltar.