26.8.20

No aniversário do próximo ano eu...

...eu vou ter que comemorar junto com meu filho/a, porque quem mandou engravidar na quarentena, né. E sim, eu reagi como a Rachel de Friends, eu não vi ainda o bebê nessa foto aí. Eu acho que é esse coisinho aí. Acho.







Sim, exatamente que aconteceu. Tô grávida. Essa ultra é até um pouco antiga, foi a primeira que tirei e tava com umas dez semanas. Hoje em dia tô em mais ou menos 16/17 semanas (uns quatro meses) porque o próprio cara da segunda sessão disse que não tinha certeza. Mas como ele mesmo falou, "esperar o médico bater o martelo".

Como é de se esperar, foi tudo uma loucura. Zero nos meus planos ficar grávida agora, também pudera, desempregada, com uma renda aleatória, namoro recente. Pra falar a verdade eu nem sabia que podia engravidar e tudo conspirava contra. Além de eu ter síndrome dos ovários policísticos, meu peso como agravante, um mioma no útero e já ter "aprontado" em um dos dias férteis e não fez eu engravidar, essa garantia toda me fez acreditar que não podia ter filhos e que se me desse o desejo, que cuidasse disso depois. 

Lembro como se fosse ontem, eu com menstruação atrasada de sete dias (eu sei que pra quem tem SOP é normal, mas a minha raramente atrasava), acompanhando meu pai ao médico em mais uma consulta. Ah, pra variar teve isso também. Desde fevereiro meu pai sentia umas febres que a gente não sabia a origem. Então ele foi ao médico, claro. Uma, duas, três, quatro...vários exames, vários palpites por fora. Podia ser respiratório porque tinha uma tosse (não era covid, ele havia testado negativo). Foram cinco longos meses até descobrirem a origem em um ecocardiograma: uma bactéria no coração. E corre pra internar o homem. Minha mãe ficou de acompanhante dele e alternando com a moça que limpa aqui. E eu? Bom, eu não podia acompanhá-lo pois ganhei combo duplo no grupo de risco do covid e de dor na costas já basta as que sinto pela gravidez. Com isso, minha mãe acabou pedindo que o Zé viesse ficar esse tempo comigo aqui em casa e aproveitamos para fazer um test drive pra morarmos juntos. Fora que ele é o pai e dar mais atenção estando comigo caso algo acontecesse.

 Na real ele me deu bastante assistência, sempre se preocupando com o meu conforto, comprando frutas (sempre gostei de frutas, mas tenho comido mais porque são leves), me animando e me mimando, até banho eu já ganhei no período que eu tinha muito enjoo e tontura.

Mas sim, voltando ao flashback. Nesse dia em que acompanhei o pai em mais um médico, já estava atrasada e fazendo xixi vááárias vezes em intervalos muitos curtos. Isso eu achando que fosse o ar condicionado do local. Depois apareceu uma guria com o mesmo cheiro de um perfume doce que eu usava e eu achei o cheiro insuportável. Claro, me fiz de doida, nunca tive grávida mesmo. No fim do dia, falei pro Zé que tava suspeitando de uma gravidez e pedi para ele comprar um teste. Como estava ficando na casa dele (calma, eu não furei a quarentena, passei meses na casa dele e mal saía de casa, nem pra mercado nem nada, apenas para coisas importantes que meus pais pediam), cheguei na casa dele e ele foi comprar o teste. Levei o teste escondido para o banheiro, já que ficava próximo da sala de casa e tava todo mundo lá. Aí vocês sabem, os dois risquinhos, bem fortes, para provar que eu tava gravidíssima. Comecei a chorar lá mesmo, sem saber o que fazer. Limpei as lágrimas, peguei o teste e voltei pro quarto. Zé tava vendo algum site aleatório no computador, nem lembro. Cheguei no quarto e joguei a caixa e o teste na mesa dele, segurando o choro. 

Daí virou um festival de choro dos dois, eu morrendo de medo de ter um filho sem sequer ter um emprego e ele me tranquilizando morto de emocionado por finalmente realizar o sonho de ser pai. Nisso minha sogra ouviu os soluços dele lá da sala e veio ao quarto perguntando o que tinha acontecido, e contamos. Ter ficado lá meio que me acalmou em relação à gravidez em si. Minha sogra criou três filhos praticamente sem o pai e sem condições e isso nunca foi um problema para ela, então de certa forma ela fez tudo parecer menos desesperador para mim. Mas foi aqui em casa que as coisas ficaram um pouco feias. Ah sim, claro, eu voltei.

Eu tive que voltar pra minha casa, infelizmente. Tava nas primeiras semanas de gravidez e tudo parecia muito insuportável, os enjoos, a fraqueza, os peitos de mil toneladas, as pessoas, os cheiros. Por mais que o Zé tentasse deixar o ambiente o mais confortável possível pra mim, tudo estava me deixando com dores e um tanto cansada. Apesar de gostar da companhia dele, os outros fatores acabaram pesando um pouco pra mim e decidi voltar pra cá mesmo. E melhorou bastante, claro, pude aliviar meus gases à vontade, enjoar e vomitar quando bem precisasse e não teria tanto contato com o cheiro de fritura da cozinha, como tava tendo lá na casa dele. 

O Zé teve a ideia de fazer uma surpresa com um par de sapatinhos de neném para avisar aos meus pais que eu tava grávida. Minha mãe demorou bastante para digerir tudo e ficou bem pouco receptiva à surpresa. Meu pai tava lá deitado e não soube da reação, mas quando desceu para o café me deu um abraço e um beijo na testa. Fiquei bem ruim com a reação da minha mãe, quando ela veio ao quarto dizendo que tinha passado a hora de broncas e me deu um abraço chorando. Hoje ela tá super boba com o/a neném. Aos poucos estou fazendo o enxoval, mas não tanto porque ainda não sei o sexo, então tenho comprado muitas coisas ~unisex.

Não vou mentir que queria fazer esse post dizendo ser um menino ou uma menina, mas infelizmente não sei e ainda não fiz uma ultrassom que me dissesse isso. Tô esperando o final do mês para marcar consulta com o obstetra, ele ver a última ultra e me marcar logo outra pra eu saber. Por razões conspiratórias (contra), essa última eu não consegui ver pelo cadastro no site da clínica mesmo eu tentando duas vezes, então só vou conseguir de fato pegando o exame físico e mostrando ao médico. Algo me diz que talvez eu consiga ver alguma coisa nele pra saber se é batman ou mulher gato. Aliás, seria uma ótima brincadeira pra fazer a revelação aos meus pais e ao Zé. Tô pensando ainda...

E não, apesar de todo esse rolê acontecendo na minha vida eu não falo só sobre gravidez, tá. Tem dias que acordo e esqueço que tô grávida, só os meus peitos doloridos que me lembram. Felizmente a fase dos enjoos passavam e eu tinha medo de sair de casa e passar mal, e isso aconteceu estranhamente nas últimas semanas em que eles pararam. Meu apetite tem andado bem fraco e eu tenho sentido fome sem sentir fome. Tipo, é completamente normal eu passar horas sem comer (sem tá grávida), mas é só eu ficar umas três horinhas ou menos sem me alimentar que minha barriga começa a doer, como quando você tá com fome (grávida), o que me obriga a comer nem que seja uma bolachinha. 

Enjoei feio de ovos fritos, maioria das frituras, salgados fritos também, cheiro de alho e cebola, café, biscoito, calabresa, salsicha, arroz e feijão também eu dei uma enjoada. Mesmo não sentindo mais enjoo, ainda bate um nojinho de algumas comidas (já tô comendo salsicha, arroz, feijão, cebola e tomando café), mas não consigo chegar perto de algumas frituras sem meu estômago dar uma embrulhada.

Acho que tá bom, né? Haha. Só mais umas ressalvas:

-Sim, meu pai tá bem, fez o tratamento com antibióticos no hospital por quatro semanas e está recuperado, com isso o Zé voltou pra casa dele e isso tem me deixado meio pra baixo...

-É pro bebê nascer mais ou menos entre 26 a 28 de janeiro, mas com essa incerteza da quantidade de semanas, talvez nasça antes (o tio agradece, vai ficar todo babão fazendo aniversário e ganhando sobrinh@).

-Apesar de estar desempregada, tive muitas primas que já tiveram bebê e têm me ajudado com doações de mobílias. Já ganhei um berço e, dependendo do sexo, ganharei mais coisas. Isso é ótimo porque essas coisas são extremamente caras e estão longe do meu bolso. E não, não vou ser a mãe que paga três dígitos numa roupinha que vai se perder em dias, respeita minha história. 

- E tendo quarto de bebê vai ter também uma casa para morar junto com o pai, mas isso é uma coisa a ser planejada. E sim, casamento também. Não queria um casamento meio que por conveniência, apesar dele querer fazer o pedido na época da viagem pra Salvador e eu achar muito cedo. Mas vamo né. Daqui pro próximo ano, depois de ter o bebê.

E é isso.

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♬ Men I Trust_ show me how