O Encontro (by: Aurora B.)
Secou o cabelo. Havia molhado o chão pois estava em busca de um aparelho de depilar. A situação era de urgência, e qualquer atraso seria motivo dos seus chiliques, e hoje não era um dia para eles; o dia não era o dia de atraso, muito menos para crises, esse era "o" dia. Aquele em que, depois de tantos anos, encontraria aquele que possivelmente seria o seu grande amor.
Por mais que aquele encontro fosse algo que pudesse relaxar, estava com uma mistura de sentimentos. Uma mistura louca e viciante. Saiu do banho às pressas e pôs um turbante de toalha na sua penca de cachos.
No quarto, tudo pronto: ao meio da cama, um vestido arejado de cores harmoniosas; à esquerda, todas as maquiagens planejadas; embaixo do vestido, calcinha e sutiã escolhidos a dedo. E no chão, sandálias compradas dias antes da viagem. Arrumou o cabelo, hidratou o corpo, encheu-se de perfume com notas cítricas e maracujá. Maquinalmente, se pintou e pôs o vestido, que em várias vezes fora experimentado. Colocou a sandália, parou-se em pé por um tempo. Suspirou e ficou nervosa. Olhou o relógio tímida na esperança de que não estivesse ultrapassado as horas. Ainda era cedo.
Ficou na varanda do hotel espiando os curitibanos, esperando especificamente um. Eram dez horas, e um rapaz alto de cabelos negros, que andava meio perdido, sentou-se no banco de cimento. Será que o era? Mas não importava. Se não o fosse, esperaria e ainda teria o privilégio de avistar primeiramente o semblante dele.
Desceu devagar, ainda que quisesse logo confirmar era mesmo o rapaz. Saiu do elevador sem se controlar e correu com passos ansiosos e da porta pôde ver, tão nervoso quanto ela. Ele sentiu a presença, ou o aroma dela e, apesar da vergonha, sorriu e abraçou-na apertado. Tocou-lhe o rosto, que pela primeira vez em três anos pudera tocar. Sorriram juntos e conversaram pouco, sem qualquer empecilho.
A união de um longo silêncio e uma brisa forte deram a eles a vontade de se beijarem. Assim, os lábios dele acariciaram os dela, e nada mais poderia atrapalhá-los. Nem o tempo, o colégio, ou os problemas pessoais. Lá, estavam dois, que se uniram em um só.
Auto-avaliação: gaygaygaygaygay.