Meu medo era que todos os meus colegas e amigos teriam se separado de mim, e só poderíamos nos ver no intervalo, entre um emaranhado de pessoas. Pra variar, ainda cheguei meio atrasada, coisa de loser. O bedel me guiou, dizendo que o terceiro ano era pra cima. Cheguei lá meio desnorteada, e só haviam três salas com pessoas. A primeira que fui, encontrei meu nome. Só que eu fiquei confusa, pois muita gente que eu avistei por lá diziam prestar vestibular para a área de Saúde, outros do Geral.
Sentei no meu local tradicional [Lado esquerdo na fila da parede, do meio para o fundo]. E adivinha quem eu vejo? "ovelha", me recebendo com um abração daqueles confortáveis. Aí eu falei, "Que é isso, cara? Gente de Saúde e de Humanas e Exatas aqui, que tá pegando?", depois desse meu alvoroço ela responde que as turmas estavam divididas por idiomas, e aquela era a turma de inglês. E tipo, a sala tava lotada. Pra você ver como inglês é danado.
Todos se organizaram e a primeira aula foi botada realmente pra lascar: matemática. O professor avisou que era o novo coordenador da escola [falando isso com a cara mais pintosa possível], e que iria explicar certas mudanças do colégio. E cara, não vai mais ter sétimo horário! Tipo, vou poder chegar tranquila em casa. Vocês não imaginam o quão deprimente é chegar em casa, a mesa vazia, a comida fria, as Mulheres Apaixonadas perto de acabar. E parece que vai ter até dia em que sairemos no quinto horário, ou seja, vinte pro meio-dia. Tirando isso, nosso esquema de provas será baseado nos vestibulares. Teremos duas etapas, uma será tipo um vestibular tradicional, e a segunda, em vestibulares específicos. Além da senhoora redação, que o quanto antes preciso aprimorar minhas dissertações-argumentativas. Quem sabe eu faça isso até aqui.
Pois bem, a outra coordenadora aparece e nos dá, adivinha? Vale-lanche cortesia. Mas não, nem foi motivo pra minha empolgação, não consigo comer lá no colégio. É por uma questão de todos olharem. Até porque é falta de educação né, você tá lá se apoderando de uma coxinha, e um sujeito te olhando. Perco até o prazer de comer. Pois bem, começou o primeiro intervalo uma palestra, com datashow e litros de cadeiras para sentar. Encontrei amigas que estudavam comigo, botei as conversas em dia e vi "portinha", a fútil das fúteis, reprovada, tava lá, um amor. A pessoa passa mais de um mês sem ir pro colégio porque levou um fora, e chama isso de férias. Toma querida, passaporte pra reprovação.
Fora isso, tive três aulas e todas elas com professores que eu já conhecia. No segundo intervalo, colocaram na quadra esportiva um projeto de banda com aqueles repertórios que você já viu em todo lugar. E enquanto isso, sabendo que o ócio mais o tédio me apertaria, levei minha revista de Criptograma para fazer no intervalo. Tava um calor insuportável. Ah sim, e depois de encontrar umas amigas, uma guria que eu conheci na recuperação do ano passado me chamou e depois disso não mais largou do meu pé. Não que eu não gostasse da companhia dela, é que eu não estava à vontade e era obrigada a ir aos mesmo lugares que ela ia. Aí né, segundo intervalo dei um chá de sumiço. Até porque ela achou a turminha dela. E nem queria muita conversa com ela, porque ela acha que é balela essa de namorado distante não trair, e que é mentira, e que pega mil, enfim, é desagradável e já passei do tempo dessas coisas. Mas mesmo assim, ela se sentou no mesmo banco que eu com os amiguinhos dela, do nada pegou minha revista, pra se abanar, vê se pode! E tiro no pé bonita, tá a fim? Saquinho desse povo acomodado.
Sorte que ela vazou com os amiguinhos. Depois veio uma colega do meu lado, ficou me ajudando nas letrinhas. Daí que, do nada, uma guria senta do meu lado, sorri, cruza as pernas. E isso eu vendo todos os atos dela com carinha de meda, pensando "vai me xingar ou vai contar um bafão?". Ela sorri [não, cara...], dá um oi, pergunta meu nome e responde com um "prazeeeerr, sou a 'palhacinha' ". Se apresentou à colega do meu lado, e exclama alegremente com Jesus no coração, "nooossa, cê gosta de fazer iiisso?!". Cara, falar da minha revista de Criptograma é como falar do meu namorado. Daí respondi "adoooro!". Ela riu, triscou nas minhas pulserinhas de cristal, devolvi o sorriso, e não dando nem vinte segundos, "palhacinha" avisa que vai indo porque vai fazer companhia pra uma novata, daí ela sai do diálogo. Em alguns segundos depois, viro para a colega que me ajudava no passatempo e disse, pra não dizer coisa pior, "Simpática ela, né?".
Depois de um tempo, de muito calor, começo a abanar com a revista até o meu suvaco, porque o calor tava de matar. Numa certa hora, a banda vai embora, todos entram pras suas salas, e todo mundo do terceiro fica do lado de fora, porque as salas estavam trancadas. Dá uns cinco, dez minutos, o bedel abre as salas avisando que tá todo mundo liberado e oh, sorte que cedinho. Enfim, foi isso.
Hoje eu fui falar pro meu pai que estava em dúvida entre Humanas e Exatas. Mas que amor ein, ele disse que Exatas eu não iria passar porque eu odiava [odiava o quêêê meu Deeeuuss] matemática e física, e que humanas era melhor pra mim. Tá pai, também te amo. Eu acho que devia fazer Exatas mesmo só pra jogar na cara dele que tenho capacidade de passar. Quem sabe.
bjs. gostaram do nome? tá, eu sei que vocês gostaram.