Eu queria poder tirar cópias e cópias desse texto e fornecer a todas as pessoas que estão me conhecendo ou acham que o que acontece comigo não passa de drama. Na real, acharem isso não me afeta nem um pouco. Até eu às vezes penso que seja frescura, é todo um estágio, da mesma situação, com as mesmas etapas. Mas me dá a mão que eu te explico melhor.
Desde bem nova eu era tida como "falsa tímida". Era uma criança muito agitada e curtia essa vibe de dançar axé e outras músicas que os anos 90 nos proporcionou, mas quando me faziam como o centro das atenções, eu meio que "me excluía". Tá loco mermão, um monte de desconhecido me vendo dançar, se eu errar alguma coreografia? Nam.
O tempo foi passando, adolescência chegando, eu largando as danças e dando lugar a minha fase mais gótica, também conhecida como "eu só usava preto pra chamar a atenção dos meus pais". Pronto, acho que esse foi o ~marco inicial~ da coisa toda: eu fui me isolando, confiando bem menos nas pessoas. Vivia só. Aliás, só não, eu e meus pensamentos.
Não que eu fosse doida, longe disso. Eu só partilhava duma conversa comigo mesma, o que era muito mais prazerosa do que ser forçada a socializar com meninos e meninas que não tinham nada em comum comigo. Fora que eu sequer tinha esse desejo de tomar iniciativa em uma conversa.
Em uma época aleatória da minha adolescência eu havia emagrecido horrores e estava numa fase bem 'eu sou magra, posso tudo' [eu sei, ignorem] e por conta disso, consegui umas amizades e me tornei a pessoa mais sociável que nunca havia sido. Tive uns maravilhooosos problemas pessoais com uma amizade em especial e enfrentei um dos piores períodos da minha vida, o que fez com que voltasse a me excluir, me deixando assustadoramente antissocial.
Ficando em casa praticando meus hobbies [naquela fase, algo entre jogar videogame e ficar até de madrugada na internet], eu então percebi que não havia o menor motivo de sair de casa para ver outras pessoas.
E bem, a coisa toda foi um tanto gradual: quanto mais eu me isolava e deixava de sair, mais desacostumada com o "ambiente externo" eu ficava e menos vontade tinha de querer socializar. Isso pode soar um tanto assustador, mas na verdade eu me sentia muito bem.
Onde eu quero chegar com toda essa lenga lenga? Que isso não é por acaso. Que eu realmente não deveria me sentir mal por me sentir assim. E sim, eu posso sair, posso socializar. Mas tenho problemas com isso. Eu tremo, fico nervosa, deixo de comer, tenho crises e acho que a princípio ninguém irá gostar de mim, socialmente falando. Quanto mais tempo eu tenho em "me preparar" para fazer social, maior a brecha para que essa enxurrada de coisas aconteça. É desgastante, dor física mesmo.
Por sorte [ou não] das pessoas que me conhecem, eu saio com as pessoas pelo amor e consideração que tenho por elas, e meio que me acostumando "à força" com a situação, o que infelizmente nunca aconteceu.
Tenho dois extremos em meu círculo social: essa pessoa que prefere me preparar para a saída com dias de antecedência - o que já disse, não funciona e sempre me dá crises de ansiedade. Já essa outra pessoa costuma me convidar no estilo "tem filme X em cartaz daqui a uma hora,vamo?", e isso não me dá tempo de imaginar que posso ser uma péssima companhia no dia e consequentemente acabo saindo nesses casos.
E foi como falei lá em cima, quanto mais eu me isolo, pior, por isso que me obrigo a socializar com frequência para que seja menos pesado para mim. Realmente funciona, por exemplo, ir às aulas me dá mais "segurança" de sair para o shopping com o boy ou algo do tipo.
Quando não posso negar a saída, como algo relacionado ao curso, adultices ou coisa do tipo, passo dias sem fazer nada direito. Parece um mal estar que você não sabe de onde vem, mas ele está lá, com você. Depois que finalmente termina o compromisso, tudo o que quero fazer é ficar no meu quarto, fazendo as coisas que eu mais gosto (algum filme/seriado, jogar, desenhar). Uma espécie de alívio, uma sensação de ter feito algo gigantesco e que finalmente terei um tempo só para mim, como recompensa. O que é comum para tanta gente.
Plus, eu sou estranha, mas sou legal. Tenho problemas pra conversar, me atropelo em meus pensamentos pois sempre tenho muito a dizer, principalmente quando tento ser engraçada, mas eu tento. Geralmente quando consigo ser eu mesma, me sinto nas nuvens e essa fobia social vai para os ares. Felizmente esses dias eu não ando sentindo isso. Mas você sabe. As pessoas.
E é isso.
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