27.3.20

A quarentena me fez voltar aqui

Depois de apanhar do Blogger pra conseguir pôr foto no post, aqui está mais ou menos como vai indo minha quarentena: muita água pra não ficar dodói, The Sims 3 porque saudades e pizza do Extra que precisei ir lá para comprar coisas importantes, mas fui e voltei de forma responsável e higiênica.
E aí, seus reclusos, como passa? Quem diria que a gente ia fazer parte de mais um capítulo nos livros de história com essa pandemia. Eu? Eu estou isolada em casa há mais de uma semana. Os dias têm sido como a maioria para todo mundo: segunda que parece quarta, mas você não pode pestanejar pois quando for checar a data no celular, já será quase sexta feira...que só parece um dia qualquer. Infelizmente eu não sou a pessoa mais recomendada para animar qualquer pessoa nesses dias de quarentena.

A princípio eu estava levando numa boa. Imagine, curtir sozinha? Oxe, o que sei fazer de melhor! O problema da quarentena em si não é você ter essa maravilha que é não socializar, mas sim de ter a liberdade de ir e vir quando bem entendesse. É legal ficar em casa, mas se quiser visitar alguém importante, fazer compras ou pedir comida? E sim, delivery é bom você pensar duas vezes também pois, a) ou vai estar mais caro por conta da demanda do b.o que é estar trabalhando em meio ao estado que está o mundo todo, e também b)você terá que sanitizar/ se livrar de tudo aquilo que foi tocado por terceiros fora da sua casa. Lembro a última vez que pedi um delivery (terça passada) e ainda havia a opção de receber ~~em mãos. Claro, seria melhor o entregador deixar a compra na porta e se mandar, mas como meu bairro tem muito catioro, era capaz de ficar sem meu almoço. Então me precavi, lavei e passei álcool gel nas mãos antes e depois de chegar a comida. Evitei tocar as coisas da casa com a mão e por aí vai.

Falando em princípio, lembro como se fossem duzentos anos quando entramos em quarentena. Era segunda feira, já tava com resquícios de saudades do morzão, mas ansiosa pra ver quanto tempo aguentava acordada cinco horários de aula teórica na terça feira. Então vi no grupo da minha antiga turma a notícia de que as aulas foram suspensas por conta do coronga. Aliás, foram suspensas até o dia 15/04, não sei se isso vai se estender e, do jeito como as coisas estão, vai. No começo eu achei legal porque tava com o sono meio errado de ir dormir às três pra acordar às cinco e quando chegasse em casa, dormir a tarde toda. Volta pra Cláudia do presente indo dormir quase às oito da manhã e acordando quatro da tarde. Uaaaau, mudou muito, grande progresso.

Outra coisa que achei foi que apenas alguns lugares se fechariam. Dia seguinte acordo na terça, quase quatro da tarde, todo mundo em casa. Pai não foi trabalhar pois as escolas que ele dava aula também suspenderam. Foi aí que eu tive noção do que tava acontecendo. E, o pior, eu não me preparei em nada pra isso. Se eu soubesse, eu, logo eu tão preparada das coisas, teria feito uma lista do que precisava dias, quiçá semanas antes.

Na realidade eu só fiz de fato uma lista ontem (quarta feira) e fui atrás dessas coisas. Você pensa, "tá locona olha o corona vairus fica em casaaaa", mas eu precisava. Aqui em casa fizeram compras, mas de coisas indispensáveis. Não que as que eu queria comprar fossem banais, mas eram coisas que tentei substituir aqui e não consegui, como pasta de dente, enxaguante bucal e desodorante, em que só me dou bem com marcas específicas. Aproveitei a deixa também para rever o morzão. A gente já estava há mais de uma semana sem se ver e no dia anterior das compras a gente tinha feito mês de aniversário e nem podíamos comemorar. Nosso relacionamento ficou bem abalado com isso tudo, fiquei vendo ele ir pras cucuias e isso só me deixava mal...

Eu preciso ser sincera com vocês: a quarentena realmente afeta a saúde mental das pessoas. Já cheguei a ver posts em redes sociais de pessoas falando sobre crises de ansiedade durante esse tempo isolado e não levei muito a sério, até acontecer comigo. Eu fiquei beeeeem mal, mal mesmo. Não conseguia comer bem, chorava sem motivo, começava a ter princípios de crise...apesar de ter ficado animada em ver o namorado, ter visto a cidade vazia e as pessoas se protegendo com máscaras e tudo o mais, isso realmente me entristecia. A gente fica: quando isso vai acabar? Até quando? Vai chegar em um ponto alto da doença aqui? Curas, vacinas? A gente vai poder respirar normalmente fora de casa?

Eu precisei parar um pouco de ver notícias sobre, evitar ler sobre, ou eu poria a perder a "alegriazinha" que tive só por ter visto o zé. E antes que pensem que eu saí de forma totalmente irresponsável contaminando as pessoas de casa, saibam que eu fiz o maior rolê pra que nada disso acontecesse.

Levei meu tubão de álcool gel, luvas de plástico e máscara para o supermercado. Fiquei o rolê todo de máscara, e sempre passando álcool nas mãos depois de manipular as coisas. Passei álcool em pertences que ia usar na ida e volta como carteira e chaves. Quando cheguei em casa foi que pus as luvas para manipular maçanetas e chaves, tirei todas as minhas roupas e as isolei, voltei a passar álcool nos pertences e na bolsa, tomei um banho até tudo ficar branco de espuma, lavei os cabelos, escovei os dentes, troquei a roupa de cama (porque deixei as compras em cima dela e porque...bom, porque tava precisando mesmo)...ufa, acho que foi isso. Ah, claro, passei álcool gel no tubão porque quem vigia os vigilantes, né...

Calma gente, eu não sou/estou maníaca em relação ao coronga, é uma questão de precaução e principalmente porque moro com grupos de risco aqui em casa. E, falando outro provérbio, quem tem coo, tem medo, então...

Mas se for pra falar algum conselho em relação a esses dias entediantes de quarentena, eu recomendo fazer coisas que te dão prazer e que de alguma forma são terapêuticas para você. Pra mim, por exemplo, voltei a jogar jogos que eu amava anos atrás (o The Sims 3, da foto do post), voltei a aquarelar e, não nessa semana que foi muito atordoada, mas nas próximas pretendo tentar algumas sessões de ioga por algum app. Fazer cosplay de Marie Kondo e desapegar de coisas no seu quarto que não te trazem felicidade também ajudam bastante. E eu já vi gente fazendo, mas não fiz ainda, um detox de 24h sem usar redes sociais. De certo modo eu também não tenho visto tanto Instagram e Tiktok como fazia antes. Ah, ler também. Ontem mesmo encontrei um dos meus livros preferidos da adolescência e vou devorá-lo em alguns dias. Inclusive há muitos exemplares grátis na loja da Amazon para você ler pelo app da Kindle que pode ser baixado em celulares e tablets em geral e, claro, no próprio Kindle.

Enfim, muita coisa que pode fazer por si mesmo. Se a peteca cair...respira um pouco e tenha fé que isso tudo vai passar. Não sei quando, mas vai.

bái.

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♫Weyes Blood_Andromeda (essa banda meudeus meu coração)