Essa não foi uma viagem qualquer. Porque foi assim, eu não queria ir para lá. Passei o ano inteiro com asco de gente e, ter que conviver com pessoas novas seria um inferno para mim. Que não teria um pessoal da minha idade e, mesmo se tivesse, acho que ia ter a mesma vontade de matar um. Eu ficaria aqui em casa, na mordomia que quisesse, com um casal cuidando da casa. Mas e a praia? E as sete ondinhas tradicionais que fez meu irmão passar? Além de que, né, em que tempo que vou poder conhecer a Paraíbs novamente? Aí eu fui, mei lá mei cá.
A viagem seria bem longa, coisa de dias, ou melhor, litrões de horas. Como saímos meio tarde de casa porque meu pai foi pegar a carteira dele - ele dirige há décadas, mas não ajeitou ela -, combinamos de chegar na cidade do pai, e no dia seguinte, bem cedinho, seguir pra pê bê. Durante o trajeto, fizemos de tudo, eu com minhas amorosas Criptogramas, tirando algumas fotos de estrada/ solzinho feliz, curtindo altas emoções com os banheiros podraços de bar de beira de estrada, enfim...
Chegando na casa do pai, da vó, no caso, estávamos famintos. Com isso, fomos na praça arranjar o 'de comer'. Algumas pessoas bonitas, nada de mais. O negócio bom da viagem mesmo foi quando chegamos lá. Porque assim, Cabedelo era um bairro de João Pessoa que virou cidade, e era lá onde meu avô mora, e lá onde ficamos. A casa era bem pequena pro litro de gente que foi.
Dormi num quarto minúsculo com minha mãe e a minha cunhada. O calor nem se comparava ao de meu quarto na minha cidade, era beeem maior, tipos que não adiantava se molhar antes de dormir que o calor te pegava de jeito. Também teve as pessoas...sempre as pessoas. Conheci uma guria lá, que era o amor em forma de gente. É que eu não tenho jeito nem paciência com crianças, e ela foi uma das pouquíssimas das quais eu mantive uma relação muito fofa. Sem falar que ela é minha prima né. Super educada, sabia a hora de brincar e de parar, bem inteligente. Mas as pessoas são as pessoas que são, e tive que aguentar uma outra criança sendo o oposto dela. Um porre, dos piores digeridos. Mexia nas minhas coisas, daquelas de que tenho mais ciúme, e deixava solto, miado. E todo lugar que eu ia, ela queria ir atrás. Se eu fosse com meu irmão e cunhada comer um lanche, tinha que ser meio escondido, senão ela corria pra ir atrás. Paciência foi coisa que trabalhei naqueles quatro dias.
Eu cometi o pequeeno erro de, em dois dias, dormir até de tarde, tipo cinco da tarde. Eu ainda não sei onde achei tanto sono pra aquilo, acho que foi do ano inteiro. Poderia ter conhecido lugares lindíssimos, mas preferi dormir. Tá né, tenho outras chances, acho. Num desses dias de visitar a cidade, e que eu fui, conheci o centro de João Pessoa. Pense num lugar bonito, cheio de lojinha com aquelas coisinhas baratas. Tudo muito barato, tanto que comprei um óculos escuro e um joystick. Este, que há uns tempos atrás, só encontrava eles de 30 reais pra cima.
Não-posso-esquecer-do-sotaque, né? Você ia numa loja e encontrava o povo falando tudo cantando, com o 'ti' e 'di' bem reforçado, acompanhado de um 'visse?' no fim das frases. Eu achei muito simpático isso. Achei o jeito de falar deles muito parecido com o pessoal de Pernambuco, mas deixei, as cidades de ambos são todas bem perto uma das outras. E sim, pulei as sete ondinhas! Ainda aproveitei alguns minutos do ventinho frio da praia e bati um papo com minha cunhada e meu irmão.
E viu, pular as ondinhas e vestir e usar esmalte verde valeram a pena, porque eu passei no vestibular. :~
bjs.