Prometi que ia falar sobre o encontro com o moço que era minha paixão na quarta série e aqui estou. Apenas dando uma leeeeve ressalva de que o último encontro que eu tive foi com uns dezesseis anos, mais ou menos. E não era algo com o qual eu me preocupava àquela altura do campeonato porque minha filosofia de vida era de que, se eu estava magra, nada poderia me parar.
Eis que agora, com uns bons quilos a mais, os hormônios sendo maravilhosos e voltando com lindas espinhas e pelos pelo corpo e o meu cabelo que achou de bom tom me odiar, tenho tido grandes problemas para conseguir relacionamentos. Porque veja bem: antes eu ia atrás de moços de longe, pois a oportunidade de ficar gata era mais fácil para mim, independente do que isso significasse. Mas era uma chance de evitar o tão temido encontro e as coisas não correrem tão bem quanto eu imaginava.
Pois. Marquei com o moço num shopping daqui, com uma semana de antecedência. Até lá eu poderia dar um jeito de clarear os pelos, hidratar meus cabelos e umas mil máscaras de argila no rosto. Só que a vida, né. Brotou uma espinha maravilhosa perto da minha boca, a famigerada, doida pra dá uns bejo. Como que eu ia falar, sorrir e beijar com uma espinha lá? E pra variar bem pouco, o coiso de clarear os pelos mal dourou, eles ficaram meio ruivos, além de ter rendido uma alergia divosa, sendo que já taquei volume 50 de água oxigenada no corpo e nunca deu nada. Mas tudo bem, eu ia tacar dois quilo e mei de reboco na espinha, a minha roupa esconderia os pelos até, vai dar certo.
Mais uma pequena ressalva: tava tudo muito estranho entre esse boy e eu porque tivemos uma treta e o clima ficou meio tenso, não era mais como antes. Eu realmente não estava TÃO empolgada assim pro encontro, e nem tava curtindo ele porque já tava ficando com preguiça de mimimi, que dirá mimimi de macho. O encontro serviria pra ver até onde as coisas iriam de fato, se rolava química ou só uns beijinhos mesmo. Voltaaando.
Eu peguei carona com minhas tias pro shopping e elas meio que ficaram de tocaia pra ver o boy haha. Chegava perto do horário dele chegar e nada. Eis que, à minha diagonal tinha este gordinho barbudo [gosto bem pouco] comendo sozinho e olhando com uma certa frequência para minha pessoa. Eu fiquei naquela de 'quero paquerar porque parece mais rentável que este encontro, mas vamos ter dignidade né, fia', daí desencanei.
Quando não mais que de repente eu vejo
O papo era legal e tudo, mas com o tempo as coisas foram ficando beeem frias, rolando eventualmente uns silêncios constrangedores. O mais legal é que, por mais que eu conseguisse conversar olhando nos olhos dele, eu percebia levemente que ele olhava pra espinha. Tanto empenho pra rebocar a bicha e a bicha continuava à vista. Se não foi isso, eu não sei o que era, sei que eu tava impaciente já de querer parar a conversa e jogar um 'sim meu filho, é uma espinha, imprevistos acontecem, ninguém manda no nosso carão'.
Eu dava indiretas pra gente sair da mesa e passear pelo shopping, perguntava se ele queria comer algo...a pessoa não colaborava. Eu estava nervosa de começo, mas fui me soltando aos poucos e fazendo ele rir com aquele jeitinho palhaça sensual que só eu sei fazer, mas parecia que eu tava numa daquelas mesas redondas de evento, sabe? O pior é que as horas iam passando e precisava comprar umas coisas para mim, sendo que o shopping já estava fechando.
Ele disse que ia comprar um troço pra levar e fui comprar pra mim também, junto com ele. O dele chegou antes e a carona dele já estava esperando, o que significava a despedida. Rolaria beijo? Eu pensei. Não teve clima, e gente sequer se tocou, mão, braço, fora aquele cumprimento sentada. Então rolou uma espécie de abraço de tia - aquele em que a tia te abraça e você enterra meio que sem querer a cara na roupa dela, sem saber o que fazer. Me deu um tapinha no ombro, e eu também, e disse 'a gente se fala'. E foi isso. Cara, foi muito estranho. Eu fiquei meio frustrada no começo, mas foi muito bosta, gente hahahaha
Ao chegar em casa hesitei um pouco, mas perguntei porque não tinha "dado certo", aí ele veio com um papinho 'ah temos vidas diferentes e eu preciso resolver umas coisas da minha vida'. Apertei o moço até ele falar que tava desconfortável comigo [creio que pela espinha, será?] e que não sentia química entre a gente. Perguntou se podia ficar na amizade e eu, meio sem vontade, aceitei. And...they never saw him again. Sei lá, eu antes só puxava papo com ele mais pela pegação mesmo, já que tava tudo meio sem clima. Ele também nunca esboçava interesse além de ter dado like no tinder. Eu ando falando com mais alguns caras, mas sinto muito mais interesse vindo deles que desse rapaz, na real.
Falei tanto que nem sei se ainda tem "espaço" para falar da minha pele, mas vou ser breve então. Meu rosto foi sempre cheio de espinhas há anos, isso quando começou a puberdade e tals. Tive momentos de pico terríveis, que não tinha maquiagem que ajudasse. Eu já deixei de sair [cê veja bem que eu sou esse ser humano que mal sai] por causa do meu rosto e, já pus na cara várias e várias máscaras, desde argila, sabonete de enxofre, já tomei de pílula a antibiótico pra melhorar e nada de efeito permanente. Ela tava ótima, mas parece que com a parada do luto meio que desandou e voltou a ficar ruim. Eis que esse ano tomei coragem e vou tomar o tal Roacutan, que limpa a pele de forma drástica, bem meu caso. Então vai ser uma resolução de ano novo, talvez? Sei que vou iniciar tratamento depois da semana santa, quando já vou ter tomado todo o álcool do mundo possível [alá a beberrona], já que não pode ferrar o fígado durante o tratamento.
E é isso.
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🔊The Temper Trap - Trembling Hands