5.7.17

As pessoas, ah, as pessoas

Como todo mundo, sempre tive que lidar com as maravilhosidades dos outros desde nenis. E por 'maravilhosidades' eu digo: a) quando elas são inconvenientes; b) quando elas não têm limites do que fazem ou deixam de fazer and; c) quando mudam da água pro vinho. Esta última é uma delícia, e vou explicar melhor como funciona, baseado no que me aconteceu essas...horas.

Eis que você conhece alguém amorzinho de todas as formas possíveis. Você já passou por maus bocados porque é isso que as pessoas fazem pra que a gente parta para a defensiva com desconhecidos. Então você acredita que essa pessoa tem o coraçãozinho bom e que não vai te fazer mal. Olha o jeito que ele te trata, ele veio conhecer até seus pais e, olha que louco, veio a uma festa de família, meio peixe d'água, mas veio, por sua causa [e pela comida, porque eu também]!

Você começa a tomar decisões precipitadas e a pessoa simplesmente te destrata. Vira um tremendo pau no cu mesmo, perdoe meu francês. Todo aquele jeito de te tratar como princesinha vai para os ares. Você comete um erro e para tal você tenta consertar as coisas, não é? Pois bem, você coloca as cartas na mesa e apresenta soluções, por horas. Mas aquela pessoa que te tratava super bem...se transforma, começa a achar motivo para não continuar, é ambíguo nas justificativas.

O que tu fez: tu abriu uma exceção de ficar na defensiva para não estragar algo futuro com essa pessoa...pra ela, na primeira oportunidade, fazer o quê: mudar da água pro vinho. De afetuoso para frio. De doce para seco. De palavras gostosas de ler para 'sim, não', e com frequência 'acho que não', 'melhor não', 'não devemos mais nos ver'.

Por que as pessoas fazem isso com as outras? Por que ainda existe gente que pede pra ter fé em ser uma boa pessoa...sendo que no mais tenso dos momentos te machuca? E tudo de bom que já aconteceu, os momentos juntos, viraram nada porque é isso que a pessoa começa a fazer contigo. Te transforma em um nada para ela.

Há muito tempo eu não me sentia tão mal com essas coisas. Não é essa dor metafórica no coração, é uma dor aguda no estômago, como um soco. É um engolir seco que vai demorar, pois antes você vivia seus dias como uma mera figurante, fazendo tudo no automático, até que conhece alguém que te faz sair pela tangente, te faz feliz, te faz ver sentido na vida. E você nem precisa estar apaixonada ou amando ele, porque você é grata por tudo o que ele te fez sentir, o que hoje não acontece mais com ele, seja por orgulho, seja porque nunca sentiu nada mesmo. Um silêncio que me rasga toda vez que leio, uma voz seca que me enche os olhos.

Me dói só de lembrar que esses momentos tão gostosos que passei com ele não terão mais volta. E eu nem sei se a culpa é minha [começou numa discussão] ou dele. Só sei que dói. E eu mais uma vez terei que voltar a ser uma figurante, fazendo tudo no automático, porque as pessoas, ah, as pessoas.

p.s: tag 'pés_na_bunda' voltou com tudo, é nóis que voa no coraçãozinho machucado, uhull.

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♫ Photay feat. Seafloor_Reconstruct