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| festa junina? pois é. |
Eu possuo dois extremos durante as despedidas: ou eu ajo como uma atriz mexicana e choro por hooooras sem me importar se estão vendo, ou fico firme e fria, como alguém que sequer vai embora ou deixa de falar com alguém. Visto que eu sou esse drama em pessoa, a última opção dificilmente acontece. Geralmente ela ocorre quando a ficha não cai, o que aconteceu, por exemplo, quando passei no vestibular pela primeira vez, quando me formei ou, ainda, quando fui assinar os papéis da minha demissão.
Esse ciclo atual que eu fechei, bem, eu não queria que ele sequer ocorresse. Começou com uma mensagem de alguém que eu nunca mais havia falado e se tornou um divisor de águas na minha vida. Cê vê, eu tava no limbo da vida e não esperava nada de mim mesma, até isso acontecer. Depois do choque, contei aos meus pais que havia sido chamada sendo recebida com abraços e congratulações, sendo que por dentro tava morrendo de medo do que estava por vir. Já enfrentei turmas gigantes, alunos problema, alunos seca útero (aqueles que te fazem jurar nunca procriar por correr risco de ter uma pestinha igual a ele), mas dominar uma escola, vinte horas, praticamente um ano inteiro, apesar de ter prometido a mim mesma que nunca mais faria isso, nunca passou pela minha cabeça.
Não vou dizer que foi fácil. Tive alunos beeeeeem tensos, uns com tornozeleira, outros que poluíam a sala inteira, enfim. Com o tempo fui me apegando às salas, aos alunos de vários turnos, aulas para jovens e adultos, coisa que nunca havia feito, consegui amizades, imagina! Justo eu, que não costumo falar com pessoas que não conheço, ganhei uma grande amiga por lá.
Em um dos dias no trabalho eu precisava ficar três turnos no colégio porque seria inviável voltar para casa. Ficava o dia todo lá e até que não me cansava? Também tinha a companhia dessa amiga, que ficava comigo durante a transição tarde - noite e era minha parceirinha de revezar turmas da noite. Era dignificante, mais ainda para quem estava há mais de um ano procurando emprego numa área que não queria exercer.
Confesso que nos dois últimos meses desse ano estava me sentindo saturada; eu fazia tudo nos conformes, entregava provas no prazo, conteúdos no tempo certo, diários sempre atualizados. Mas chegava uma hora que simplesmente não batia mais amor, sabe? Antes eu ia animada dar as aulas às sextas apesar das turmas problema, e de outubro pra cá eu chegava cabisbaixa na sala de aula porque aquilo estava realmente me cansando. Eu pensava, quase como um mantra, que aquilo estava perto de acabar, e isso coincidentemente depois que entrei no curso; o trabalho estava meio que ~atrapalhando um grande sonho~ e não estava mais encaixando no que eu queria para minha vida.
No final de semana antes da despedida houve uma confraternização com o pessoal da escola e eu não tive coragem de ir. Por mais que quisesse, eu meio que não me pertencia lá. Afinal de contas, eu devia encarar os fatos: eu era substituta, meu tempo de contrato do seletivo havia acabado e não poderia ser renovado, pra quê manter laços? Tive que ser fria. Sim, pode acontecer do meu contrato ser renovado por carência de professores de inglês, mas não vejo grandes esperanças quanto a isso.
Segunda feira, o dia oficial da despedida, eu só iria devolver os livros didáticos que me entregaram e assinar minha última frequência. Eu fui, vestida diferente de tudo o que já havia vestido por lá. A minha sorte é que não encontrei ninguém próximo a mim, aluno, professor, nada, que pudesse me prender e deixar isso ainda mais doloroso. Eu fiz o que tinha que fazer, olhei para os lados da sala dos professores - meu lugarzinho cativo entre as transições de turnos - e falei para mim mesma 'é, agora acabou'.
Por mais que eu tenha falado aquilo para fechar esse ciclo, confesso que a ficha não caiu até agora. Talvez caia quando me tirarem do grupo do colégio no Whatsapp, ou o ano começar e eu não precisar mais sair de casa com minha grande e pesada mochila às segundas e sextas. Eu não sei o que vai acontecer comigo quando isso acontecer, mas espero que eu consiga superar isso de cabeça erguida, e fria, como deve ser.
e é isso.
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♫ Duran Duran - A view to a kill
