21.2.22

Lógico que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar

 

Mas às vezes, nenhé. Então estou tal qual minha prole, sentada, numa boa, em meio ao caos que está minha vida. 😶

Tem um tempo que não posto nada aqui, fato, mas algo além da maternidade e cuidar de casa tem tomado minhas horas livres. Eis que eu estava lá, enviando currículos para o mundo, em vagas de emprego para os quais nem ideia eu sabia do que fazer, mas se estavam pagando, né, que bom, quero.

Daí surgiu essa vaga para uma escola de idiomas. Ao menos parecia uma escola de idiomas, meio que é, mas enfim. Não tenho um histórico muito bom em relação a entrevista de emprego nesse tipo de local, já tive uma antes em que meu inglês não estava afiado e a entrevista foi sobre um tema que eu mal sabia em português, que dirá. Eles foram até bem educados, me enviaram e-mail e tudo falando que não fui aceita e tudo bem, mas prometi a mim mesma que nunca mais entraria nesse tipo de emboscada. Assim, meu inglês não é maravilhoooooso e sim, ele melhorou bastante em relação àquele tempo, o nervoso ainda deu um gás para dar tudo errado, então não quis arriscar, tipo, jamais. 

Na atual situação que me encontro, não tô podendo escolher nada e, se marcarem uma entrevista pelo menos, já é meio caminho andado. Então eu enviei meu currículo e fui chamada para um processo seletivo. Quando vi, pensei "nossa, que interessante, mil dinâmicas de RH cairão ao teu lado, mas tu não serás empregado pois não és proativo e sociável". Por razões que desconheço, me vi muuuito otimista e ambiciosa em relação a todo o processo e só queria sair de lá se fosse empregada. Fiz tudo o que pediam, perdi a vergonha e falei em público, tentei ser engraçada e ultrapassava toda a reserva de bateria social que eu tinha nesses dias de processo. Inclusive fizeram uma dinâmica que ativou gatilhos maravilhosos em mim que nem existiam mais, então derramei todas as lágrimas possíveis na frente de pessoas que conhecia a apenas três dias. 

Feito tudo isso, me encaminharam para o coordenador, conversei com ele, tirei bastantes dúvidas, até porque o esquema deles era diferenciado e eu trabalharia com metas também, ligando para pais e alunos sobre atividades e frequência, enfim, não seria algo tão simples como ser apenas professor. No fim das contas, assinei um contrato que me deixariam lá por um mês e, caso tudo desse certo, ele seria renovado. Nesse ínterim, estranhamente a professora que passou mais tempo lá se demitiu, outras pessoas também. Eu achei beeem estranho, e uma colega me disse "logo você irá entender como funciona por aqui". Aí beleza, aos poucos fui aprendendo como tudo funcionava, as ligações, as aulas, estava sempre atrás de dinâmicas e criando slides para ajudar a mim e aos meus colegas de trabalho, consegui grandes amizades, enfim, era tudo o que eu queria. 

Estava feliz como nunca mais tinha estado num ambiente de trabalho. Me divertia, era pressionada, claro, mas cumpria com tudo. Eram horas de trabalho bem longas, mas que valiam a pena. Tinha que andar bem vestida, pediam uma vestimenta bem formal e eram bem rígidos com isso. Até o dia em que exigiam, num prazo bem apertado, para que eu conseguisse um salto alto, senão eu voltaria pra casa. Basicamente isso. Esforço no trabalho, horário de almoço curto, tinha dia da semana que nem almoço tinha na minha agenda. Mas tinha que ter o bendito salto, nem que tirasse dinheiro do coo. Pedi desesperadamente para minha mãe comprar um salto no estilo que disseram, para eu usar no dia seguinte, já. Os $99 que salvaram minha vida, na verdade, $100, mas vamos lá. Usei eles, doíam horroooores, mas beleza. 

Em um dia qualquer, o novo coordenador me chamou na sala dele depois da minha aula, perguntei o que era, depois ele pediu pra eu deixar pra lá. Perguntei se eu seria "promovida a cliente", uma brincadeira que a gente fazia, mas ele não respondeu. Achei tudo muito estranho depois desse dia, mas seguimos para o sábado, essa mesma semana, do dia 19.

 Mil coisas para fazer, aniversário da Laurinha no mesmo dia, mas nem pude pensar nisso, e nem em almoço. Eu que almoçasse lá em casa mesmo. Então dei três aulas espaçadas, sábado dia sempre bem cheio. No finzinho do expediente, outra professora estava lidando com um problema e ajudei ela a resolver. 

Quando mais uma vez o coordenador me chamou, dessa vez em pessoa (na primeira vez foi por mensagem). Fui com ele em outra sala que nunca fui e lá estava, o...eu não sei o que ele é na empresa, só sei que é filho do dono e é basicamente isso. Sentei e o coord não disse nada, só o guri, que é até sete anos mais novo que eu. Aí ele disse né, que decidiram me desligar da empresa. Isso. Assim. Que em dez dias pra eu ir lá e pronto. 

Queria ter dito "por quê?", mas não consegui dizer nada. Ia dizer o quê? Depois de um tempo eu percebi que eles adoravam rotatividade, não querem vínculo empregatício com seu ninga e era isso que fizeram comigo, faziam com outros e irá fazer com muito mais gente no futuro. É bizarro, sim, mas eu prefiro só que eles me reembolsem o salto caro que fizeram eu comprar e meu proporcional. Nos meus devaneios mais aleatórios eu pensei em agir com loucura e, caso aparecesse vaga para professor novamente por lá, que eu enviasse o currículo. Mas fico feliz que não tenha aparecido ainda, prefiro navegar em outros mares e empresas que me valorizem como profissional e vejam como algo bom eu ter uma vibe meio workaholic que essa última empresa me fez ser. 

"Mas então por que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, pequena gazeba?". Porque no meu primeiro emprego foi assim. Desculpa vocês todos, mas eu não entro num emprego pensando que vou ser demitida, por mais arriscado que seja estar lá. Eles me seguraram por quatro meses e, por lei, teriam que assinar minha carteira caso passasse disso. Aí deu os quatro meses lindamente e falavam em rescisão de contrato. Primeiro emprego, nunca ouvi falar nesse termo na vida, achei que fosse para renovar. Tadinha. Tanto que quando fui assinar, até fiquei feliz hahaa.Quando soube o que era, chorei tanto, mas tanto...e eu era amigada com a diretora e tudo, ela super gente fina comigo, adorava conversar com ela. Aí ploft.

 Mesma coisa eu com o diretor regional, super gente fina, me convidou pra balada e tudo, um querido, disse que ia sentir nossa falta quando fosse viajar para as outras unidades. Daí soube que ele veio no coordenador e disse "das duas professoras que entraram, você corta uma delas". Um querido, já disse isso?! Um fofo. 

Eu já suspeitava e ficava com o pé atrás com ele, sequela do primeiro emprego. O coordenador? Mal tinha entrado e já teria que lidar com isso. Ele ficou mal, não é culpa dele. Vou sentir falta de todas as amizades que tive por lá, apesar dos pesares. 

 Não derramei uma única lágrima depois da notícia enquanto estive no local, apenas quando pus o pé no meu apartamento. O foda é que ainda vai rodar bastante gente nessa história, e alguém muito puto vai tomar providências, espero eu. E eu queria de verdade poder abrir um post aqui dizendo o quanto estou feliz no meu trabalho mesmo trabalhando que nem uma vagabunda (até mais) e saindo de lá no sábado às 16h. Mas não vou, não. E tudo bem. Mas vocês estão contratando professora de inglês?


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♬Barulho da chuva e da Galinha Pintadinha ao fundo com a Lalá assistindo